Ao longo do ano que passou, relatei neste blogue a vida de um filho pelos olhos do pai, do meu filho. Como todos vocês sabem, o objectivo foi muito claro desde o primeiro instante: escrever-lhe, a ele, para ele, o seu primeiro ano de vida. Rapidamente me apercebi que só com a “pressão” típica de um blogue conseguiria levar esse objectivo a bom porto. Sem essa “pressão” não haveria esforço e rapidamente este ano se resumiria a meia dúzia de notas dispersas, vagas e, no fim, perdidas para sempre. Duma forma talvez egoísta, precisava de vocês para cumprir o meu objectivo.
Contudo, ao longo destes meses, os vossos comentários foram muito mais e melhor que uma mera “pressão” por novidades. Ao fim dos primeiros posts senti que estava não só a dar mas, essencialmente, a receber experiências, conselhos e muito ânimo e carinho da vossa parte. Gradualmente, este projecto deixou de ser um “ano dele” para se tornar num “ano nosso”, de todos os inúmeros visitantes assíduos do blogue, de todos os pais e mães sem os quais este “ano” não poderia existir. Sei agora que este ano foi tão meu como vosso. Nos vossos comentários e nos emails que me enviaram ao longo deste ano, foram, sem dúvida, os melhores leitores e companheiros de viagem que alguém possa alguma vez desejar. Lamento que a minha falta de disponibilidade não me tenha permitido responder aos vossos comentários e emails com a devida atenção. Os apontadores para os vossos blogues também foram negligenciados e pouco consegui acompanhar dos inúmeros blogues de pais e mães cujas palavras de amor e carinho com que relatam os seus filhos tanto me enterneceram.
Reparei ainda que, quando comecei este blogue, poucos eram os homens a escrever exclusivamente sobre os filhos. Actualmente são imensos. Não tenho a veleidade de pensar que abri um caminho ou dei um exemplo. Congratulo-me sim pelo privilégio que tive em assistir a um “perder da vergonha” masculina em abrir o coração sobre o amor que temos pelos nossos filhos.
Custa-me terminar este blogue. Agora que gosto tanto de vos relatar a minha experiência como de conhecer as vossas, agora que me sinto parte de uma comunidade imensa e invisível de pais e mães reunidos à volta de um tema tão comum e tão forte. Nunca me passou pela cabeça continuar este relato. Sempre achei que, uma vez cumprido o meu objectivo, esta vontade de relatar o meu filho se esgotaria, que sentiria mesmo algum alívio no final. Contudo, sei que o meu coração continua cheio de palavras desconhecidas de um amor que desvendo diariamente. Talvez mais por esse motivo do que por qualquer outro, esta aventura continua...

em...
http://umpoucomaisdeti.blogspot.com
A todos vocês, que nos leram ao longo deste ano, o meu mais sincero
Obrigado.